É
bem conhecida, no meio cristão, a história de Abraão e de sua esposa Sara, muitas
pregações já foram feitas sobre a fé daquele Patriarca hebreu, muitos estudos,
textos, aulas, vídeos e tantos outros recursos já foram utilizados para descrever
como ele ouviu a voz do Senhor e, sem questionar, saiu de sua terra, deixou sua
parentela e seguiu para uma terra que Deus haveria de mostrar.
Muito
se tem falado da promessa feita por Deus de multiplicar a descendência de
Abraão, que ainda se chamava Abrão, e fazer dele uma grande nação, e do
cumprimento de tal promessa.
O tempo do cumprimento
No
entanto, poucas vezes vemos comentários sobre o porquê de ter sido necessário
se passarem 25 anos para que o filho de Sarai, que era estéril, nascesse. Será
que essa era uma promessa muito difícil de ser cumprida por Deus? Tornar Sarai
fértil era algo trabalhoso para o Senhor? Certamente não.
Alguns
comentários que vemos a esse respeito se referem ao exercício da paciência e da
fé de Abrão e Sarai, e isso, de fato, é um dos pontos, mas será o único motivo?
Se
lermos toda a história de Abrão até o nascimento de Isaque, veremos que Deus
repetiu a promessa da descendência numerosa seis vezes antes de ela se
concretizar. Qual o motivo? o que impediu o Senhor de cumpri-la já na primeira
vez que prometeu?
A
primeira vez que Deus fez a promessa de dar-lhe uma grande descendência ocorreu
quando ele tinha 75 anos. O Senhor o chama para deixar sua terra, sua
parentela, a casa de seu pai e seguir para uma terra que Ele o mostraria (Gn.12.1-2).
Abrão
obedece ao Senhor, parte com sua esposa, seus bens e servos, deixa sua
parentela, mas leva com ele seu sobrinho Ló (Gn. 12.5). Após atravessar a terra
até Siquém o Senhor lhe aparece pela segunda vez e promete dar a sua
descendência aquela terra (Gn. 12.7).
Abrão
parte dali e vai para o monte ao oriente de Betel, lá Abrão faz um altar ao
Senhor e invoca Seu nome, seguindo, depois, na direção do Neguebe (Gn. 12.8-9).
Havia
fome naquela terra e Abrão decide ir para o Egito (Gn. 12.10). Depois que Faraó
soube que Sarai não era irmã de Abrão (Gn. 12.17), como este havia dito (Gn.12.13), o patriarca, a mando do soberano egípcio, saiu daquela terra levando,
sua esposa, seu sobrinho e tudo o que possuía e o que adquiriu no Egito (Gn.12.20).
Abrão
e Ló se separam (Gn. 13.11) e o Senhor diz a Abrão que toda aquela terra que ele
podia enxergar, para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente
seria dada a ele e a sua descendência (Gn. 13 14-15). É a terceira promessa de
Deus, mas Sarai continuava estéril.
Muitos
fatos ocorreram, Ló é levado cativo (Gn. 14.12), Abrão consegue liberta-lo (Gn.14.16) e o Senhor lhe faz a promessa pela quarta vez (Gn. 15). Nesse ponto
Abrão já imagina que sua descendência virá de seu servo damasceno Eliezer (Gn.15.2), mas o Senhor afirma que a descendência virá do próprio Abrão (Gn. 15.4).
Provavelmente
pensando que a promessa de Deus não havia sido compreendida corretamente por
Abrão, Sarai oferece-lhe sua serva Agar para que gerasse nela um filho (Gn. 16.1-2). Nasce Ismael (Gn. 16. 15-16).
Ao
completar 99 anos, Deus pela quinta vez faz a promessa a Abrão (Gn. 17.6), mas
desta vez há algo novo, diferente: o Senhor muda os nomes de Abrão (Gn. 17.5) e
de Sarai (Gn. 17.15). O Deus Todo Poderoso, faz uma transformação na própria
essência do casal e em suas vidas, Deus transforma. Abrão passa a se chamar
Abraão e Sarai se chama Sara.
A importância do nome
O
nome de uma pessoa na cultura hebraica tem importância fundamental. Se olharmos
todo o relato bíblico veremos que os nomes dados aos filhos sempre tinham um
significado, buscavam representar o que eles eram ou seriam. Uma mudança no
nome representava, para eles, uma mudança na própria essência do indivíduo e em
sua vida. Deus mudara seus nomes, Deus os transformara.
Abraão
e seu filho Ismael são circuncidados (Gn. 17.23). O senhor ainda lhe repete a
promessa uma sexta vez (Gn. 18.10) e, de fato, um ano após Abrão se chamar
Abraão e Sarai se tornar Sara, o milagre de Deus acontece, Sara está grávida.
Abrão
tinha fé em Deus e isto lhe foi imputado por justiça (Gn. 15.6), Sarai também
tinha fé em Deus, mas o milagre aconteceu quando eles foram transformados pelo
agir soberano do Senhor. Sem o toque do Senhor em nossas vidas nos
transformando, não importa se somos fieis, sinceros, honestos ou caridosos,
Suas promessas para nós não se cumprirão, precisamos da transformação operada
por Deus em nossas vidas.
Da mesma forma que transformou Abrão, Sarai e Jacó Ele pode e quer nos transformar...
Abrão
precisou se afastar de Ló, que era, talvez, o último vínculo com a família da
qual Deus disse que ele deveria se afastar. Do que ainda precisamos nos
afastar? O que temos levado conosco na grande viagem da vida?
Vemos
também essa transformação de Deus sendo realizada em Jacó, neto de Abraão, que
havia fugido do irmão com medo de ser morto (Gn. 27. 41-43) e trabalhou, sendo
explorado, por vinte anos na casa de Labão (Gn. 29-30). O mesmo Jacó que tinha
sobre ele as bênçãos de Isaque dizendo que seria ele reverenciado pelas nações
e que seus próprios irmãos se encurvariam diante dele (Gn. 27.28-29), era o
Jacó que há vários anos vivia como um servo que fugira do irmão.
Até
que Jacó foi tocado pelo poder transformador de Deus e passou a se chamar
Israel (Gn. 32. 28), fez as pazes com o irmão (Gn. 33) e dele surgiu, de fato, uma
grande nação.
Deus
preparou Abrão, Sarai, Jacó e no momento certo os transformou em grandes
bênçãos. Eles eram idólatras, pessoas más, infiéis? Certamente não, mas ainda
lhes faltava o toque transformador de Deus, e quando isso ocorreu, toda sua
realidade mudou e todas as promessas foram cumpridas.
Assim
também ocorre nos dias de hoje, pois Deus não muda (Ml. 3.6). Da mesma forma
que transformou Abrão, Sarai e Jacó Ele pode e quer nos transformar, pois se
não formos transformados em novas criaturas (2Co. 5.17) jamais seremos
verdadeiramente filhos de Deus (1Jo.3.1).
Para
isso, basta seguirmos firmes o Seu caminho e estarmos receptivos ao toque
transformador do Senhor em nossa vida e dessa forma todas as Suas promessas para
nós serão cumpridas.
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Como o irmão colocou, é bastante conhecida mesmo esta história. Porém, o mais interessante mesmo, é verificar o quanto as situações nas quais aqueles personagens estiveram envolvidos, ainda são tão comuns nos dias atuais. Não falo dos fatos em si, mas da forma como eles foram encarados.
ResponderExcluirDeus nos faz muitas promessas sim, algumas relativas a algo que desejamos e outras que estão relacionadas com os próprios propósitos que Ele tem para conosco. Porém, assim como Abraão e Sara, que tiveram que esperar o tempo necessário para as suas transformações, estamos nós. Somos pecadores por natureza, mas não cometemos graves erros, nos colocamos como servos, procuramos agir de forma correta com o próximo.
No entanto, a grande mudança vem, e é atestada, quando entendemos o que a Palavra diz, quando coloca que, ao sermos novas criaturas, transformadas em Cristo, começaremos realmente a agir, entendendo que o controle está com Ele, que Ele é que sabe de todas as coisas, e que as transformações necessárias só acontecerão, quando nos colocarmos firmemente no propósito de seguirmos as Suas determinações.
Quando insistimos em repetir posturas, comportamentos, atitudes que nos levaram a queda no passado, passamos a impedir, ou até mesmo atrapalhar que o agir de Deus se faça em nós. Muitas vezes ansiosos por vermos os resultados, por realizarmos conquistas, alcançarmos a realização de um sonho, queimamos etapas, necessárias para que o processo se complete, para que a mudança venha, e a bênção seja alcançada.
Sempre tive uma questão em particular em minha vida, que, com tempo, percebi que era de fé. Mesmo depois que aprendi a orar, a entender que Deus quando prometi cumpri, e que Ele está no controle de todas as coisas, durante muito tempo ainda insistia em dar o meu jeito. Por insegurança, pressão do meio exterior, ou pela própria ansiedade e urgência, características do mundo em que vivemos. E creio irmão que esta seja a grande questão... Descansarmos no Senhor. Não aquele descanso de quem cruza os braços por achar que o agir de Deus, por ser soberano, tudo vai solucionar, e a nós nos cabe apenas esperar. Mas sim aquele descanso de quem procura dar o seu melhor em tudo, acreditando que, o que nos faltar em qualquer situação, Deus, por Sua infinita misericórdia e bondade, nos dará por acréscimo.
Segue na Paz Irmão!
Deus Te Abençoe e Te Mantenha Firme em Teus Propósitos com Ele!
Amém!! Obrigado por colocar seus comentários, suas impressões e suas experiências aqui. Que Deus continue te abençoando abundantemente..
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