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AMAR AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS

 

Encontramos no evangelho de Mateus uma afirmação de Jesus que pode curiosamente ser explicada à luz da teoria genética de Richard Dawkins, famoso biólogo evolucionista.

O texto sagrado relata: “Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt. 22. 34-39). Quero me ater no que Jesus chamou de segundo mandamento.

O Senhor fala em amarmos ao próximo como a nós mesmos. É interessante notar que a palavra grega que é utilizada se referindo ao amor ao próximo (assim como a Deus no primeiro mandamento de Jesus) é Αγαπη (Ágape).

Já explicamos em outra postagem do blog Preceitos de Fé que na língua grega existem três palavras que são traduzidas por amor: a palavra ερος (éros), que normalmente é utilizada para representar o amor carnal ou a paixão; a palavra φιλεω (filéo), que normalmente está ligada a contextos de amor de amigos; e finalmente a palavra Αγαπη (Ágape), que diz respeito normalmente ao amor sacrificial capaz de sacrificar à própria vida em favor de quem se ama, justamente por isso essa palavra é utilizada quando se refere ao amor de Cristo por nós.


Pois bem, segundo a teoria de Dawkins, explicada aqui de forma bastante simplificada, que se encontra em seu famoso livro “O Gene Egoísta”, os genes humanos lutam para serem transmitidos de geração em geração e, dessa forma, manter sua “imortalidade” pelo maior tempo possível. Sendo assim, segundo o autor, toda, ou ao menos a maioria, dos atos na natureza que poderíamos reputar como altruístas na verdade nada mais são que o “egoísmo” genético que busca se replicar nas gerações futuras, daí resultaria, por exemplo, a explicação do porquê todos os animais, inclusive nós, tendemos a proteger dos perigos muito mais nossos familiares que pessoas estranhas, pois o que estaria em jogo seria a preservação dos genes semelhantes da família.

A partir desse princípio, se tenho um irmão gêmeo idêntico, que possui exatamente os mesmos genes que eu mesmo, devo então lutar com minha própria vida frente a um perigo de morte pela preservação da vida dele, assim como ele deve fazer o mesmo por mim, pois, ainda segundo a teoria de Dawkins, se um dos dois morrer nessa luta ao menos os genes do outro que permanecer vivo (e que possui genes iguais ao meu) estarão preservados e a “imortalidade genética” desses genes específicos estaria preservada.

Muito provavelmente Jesus não estava pensando em genes quando respondeu aos intérpretes da Lei naquele momento, porém se olharmos por esse prisma, a explicação genética de Dawkins, ainda que sem ter essa intenção, termina por facilitar a compreensão de que nível de amor tão íntimo Jesus estava falando quando disse que devemos amar ao irmão como a nós mesmos, pois ainda que não sejamos gêmeos idênticos de alguém e não tenhamos os mesmos genes, em espírito somos todos iguais pois possuímos uma origem única: o nosso Deus.

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