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A NUDEZ DE ADÃO E EVA - PARTE 3

Na Primeira Parte deste estudo falamos da crença de alguns de que Adão e Eva não se viam nus porque estavam cobertos com uma espécie de roupa espiritual que lhes cobria a nudez e analisamos se Deus daria ao homem algo que lhes seria motivo de vergonha.
Na Segunda Parte buscamos entender como Adão e Eva enxergavam a sua nudez e comparamos a simplicidade do primeiro casal à simplicidade das crianças, citadas por Jesus como possuidoras do reino de Deus.
Hoje faremos uma análise de duas palavras utilizadas no original hebraico e que nos revelam ainda mais sobre a nudez de Adão e Eva.

As palavras hebraicas

Gn. 3.1
Se analisarmos o texto original em hebraico de modo mais abrangente perceberemos que foram utilizadas duas palavras de mesma raiz para se referir à nudez de Adão e Eva e à sagacidade da serpente.
As palavras em questão são: ערם (aromm) que quer dizer nu; e ערום (arumm) que quer dizer sagaz. As letras do alfabeto hebraico que compõem a raiz de ambas as palavras são: ע (Ayin), ר (Reish), ם (Mem sof).
O hebraico tem uma linguística muito rica e os escritores bíblicos costumavam usar desses recursos para encerrar em seus textos verdades que dificilmente seriam apreendidas na simples tradução de seus escritos.
A tradução em si de um texto, de qualquer língua, normalmente esmaece um pouco o significado original que quis imprimir o seu autor.
No hebraico uma única raiz dá origens a diversas palavras de sentidos diversos, mas que, geralmente, guarda alguma relação com a palavra original.
Nas Escrituras Sagradas, que são a Palavra de Deus, alguns textos vão muito além do que está literalmente escrito, por isso, precisamos, além do estudo criterioso, da revelação do Santo Espirito para compreendermos seu significado.

A nudez do conhecimento

Ao utilizar duas palavras com a mesma raiz para se referir a nudez de Adão e Eva e a sagacidade da serpente o escritor bíblico, inspirado por Deus, revelou que a nudez que o ser humano já possuía, mas que a encarava naturalmente, e lhe foi revelada após a desobediência, não se tratava apenas do nu físico, mas do conhecimento.
Veja, o homem desfrutava da comunhão com Deus que andava pelo jardim no final da tarde (Gn. 3.8), não possuía o pecado, portanto tudo o que desejasse estaria a sua mão, pois Deus estava com ele, todo o conhecimento estava a sua disposição, nada lhes era encoberto, estavam nus, tudo estava exposto, desnudo, seus corpos, toda a criação, toda a verdade.
Não obstante, a pureza do primeiro casal os fazia encarar tudo isso de forma natural, porém havia uma árvore dentro do jardim da qual comeram, em desobediência a Deus, e tiveram seus olhos abertos.
Embora a árvore se chamasse do conhecimento do bem e do mal se observarmos o relato bíblico, poderemos nos perguntar: Qual foi o bem que conheceram depois de comer do fruto? E o mal, na verdade, eles praticaram antes, ao desobedecerem a Deus.
Na verdade, o que a árvore fez foi abrir os olhos de ambos e com isso passaram a fazer diferença entre bem e mal e escolheram o mal.

Analisarmos a Palavra de Deus de forma mais aprofundada e criteriosa torna mais compreensível alguns relatos que, por vezes nos parece difíceis, e evita perdermo-nos em divagações e fantasias.

O bem eles já conheciam, mas não como o bem, mas como o natural, eles viviam no paraíso, mas ao comerem do fruto proibido, perderam a inocência e descobriram a malícia, perceberam a existência do bom e do ruim, do bem e do mal.
Por isso a árvore era do conhecimento do bem e do mal. Ao comerem se envergonharam de estarem nus, não apenas no corpo, mas no conhecimento, que agora não fazia mais parte de suas vidas como algo natural, mas como ferramenta para praticar o bem ou o mal.

A consequência do pecado

Antes do pecado tudo estava desnudado ao homem, e isso era natural, depois do pecado essa nudez transformou-se em sagacidade, a mesma que possuía Satanás (Gn. 3.1) e, como tal, pronta a ser usada conforme nossas inclinações.
O homem se envergonhou de estar nu, se envergonhou daquilo que conhecia e se envergonhou do próprio Deus (Gn. 3.10).
A deterioração do pecado e a consequente expulsão do paraíso, criaram uma separação entre o homem e Deus (Is. 59.2) e isso fez com que o homem perdesse o conhecimento do bem e ficasse apenas com o mal.
Analisarmos a Palavra de Deus de forma mais aprofundada e criteriosa torna mais compreensível alguns relatos que, por vezes nos parece difíceis, e evita perdermo-nos em divagações e fantasias.
É importante evitarmos reduzir o texto bíblico aos nossos pudores e conceitos humanos, mas, ao contrário, buscarmos no estudo da Palavra, do seu contexto, e, sobretudo, no Espírito Santo a perfeita compreensão da verdade de Deus.
Encerramos aqui este estudo que, para mim, foi muito gratificante e espero que tenha sido também para os irmãos e irmãs. Desejo que o Espírito Santo fale mais aos nossos corações.

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Comentários

  1. Gostei muito deste estudo irmão Carlos, pela profundidade que imprimiste à análise do tema em questão. Que, independente de discordar de algumas colocações relativas à crença, concordo com o irmão quando busca tratá-lo de maneira desvinculada dos pudores e resguardos, que sim são meramente humanos, pois a Palavra em momento algum os menciona. E, como o irmão coloca muito bem, descaracteriza Deus como um Ser de imensa bondade e justiça, do Qual jamais advém o mau/mal.
    Interessante também, quando o irmão nos convida a entender o sexo como algo divino, pois quem corrompe e distorce a sua natureza é o próprio homem, quando o pratica de forma torpe e viciosa. Concordo plenamente com esta abordagem.
    Que Deus Te Abençoe e continue Te Inspirando Imensamente nesta empreitada de buscar conhecer e entender mais profundamente a Palavra, trazendo-a a todos que aqui visitam de forma simples, porém primoroza.

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    1. Obrigado irmã, toda honra e toda glória ao Senhor. Que Deus continue te abençoando ricamente.

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  2. Gostei muito deste estudo irmão Carlos, pela profundidade que imprimiste à análise do tema em questão. Que, independente de discordar de algumas colocações relativas à crença, concordo com o irmão quando busca tratá-lo de maneira desvinculada dos pudores e resguardos, que sim são meramente humanos, pois a Palavra em momento algum os menciona. E, como o irmão coloca muito bem, descaracteriza Deus como um Ser de imensa bondade e justiça, do Qual jamais advém o mau/mal.
    Interessante também, quando o irmão nos convida a entender o sexo como algo divino, pois quem corrompe e distorce a sua natureza é o próprio homem, quando o pratica de forma torpe e viciosa. Concordo plenamente com esta abordagem.
    Que Deus Te Abençoe e continue Te Inspirando Imensamente nesta empreitada de buscar conhecer e entender mais profundamente a Palavra, trazendo-a a todos que aqui visitam de forma simples, porém primoroza.

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    1. Obrigado irmã, toda honra e toda glória ao Senhor. Que Deus continue te abençoando ricamente.

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  3. NÃO ENTENDI, o homem perdeu o conhecimento? escolhendo o mal? perceberam que estavam nus? a nudez percebida pelo casal, era uma espécie de premonição daquilo que fariam com o corpo, daquele dia em diante? acho que o que eles perderam, é aquilo que o sacrifício de Cristo restabeleceu na vida do homem: a comunhão plena, a possibilidade do homem ter a companhia de seu criador, não apenas no final da tarde, mas todas as horas do dia. Sem essa comunhão o homem está exposto a ira de Deus, e a morte é seu destino. Acho que a roupa confeccionada pelo homem era uma tentativa inútil de se proteger diante de Deus, que antes não precisava. Ninguém se esconde do olhar divino do criador. O homem pecador não suporta a presença SANTA do Senhor, ele seria fulminado, pereceria instantaneamente. Tanto que Deus trocou suas roupas (trapos de imundícies, folhas de figueiras), por pele de animal sacrificado (cordeiro) para vestir o homem, isso para não serem fulminados por sua presença, fogo que consome o pecado. O próprio Deus providenciou algo correto para o homem vestir.

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  4. Gostei muito. Entretanto, gostaria que voce enfrentasse a questão de por que os índios nao possuem vergonha de estar nus?

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  5. Gostei muito,nós leva a esquadrinhar as escrituras

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